O que vamos mostrar no aniversário de 4 anos? Quais opções temos?

Ao longo de nossa pesquisa procuramos diversos caminhos para encontrar o produto que queríamos. Saímos de uma ‘fase musical’ suja e barulhenta para um rumo lírico e desconhecido.

Já que falamos de lirismo, iniciamos o projeto musicando o poema “Mistério do Mar” de Juvenal Galeno, poeta Romântico. Havíamos pensado nessa música quando escrevemos o projeto, gravamos uma ideia de melodia para o poema, mas quando o revisitamos fizemos algo totalmente diferente. Paralelo a isso, Issac leu “Contagem Depressiva” de Mona Gadelha e movido por um sentimento de “fazer justiça” a um livro tão bacana e esquecido, pensa, juntamente com Alvaro, em uma homenagem.

Decidimos que essas duas músicas seriam as ultimas da nossa apresentação

Alvaro e Gabriel seriam, a princípio, quem declamariam os textos. Issac não poderia parar de tocar, era doloroso “voltar” segundo o próprio – ainda assim, se oferece para encarnar o belo texto de Mona nos dois últimos parágrafos de “A Noite tem peso”. Alvaro nos oferece a melhor forma para declamar o poema “Mistérios do Mar” de Juvenal Galeno, mas recusa-se modestamente a interpretá-la. Eis que durante uma reunião Alvaro mostra o poema para Tina Reinstrings e então tínhamos alguém para declamar.

As músicas que juntos construímos refletem uma certa intimidade que adquirimos uns com os outros. Começamos com “Ego sum, te peto et uidere queo” – o solo de theremin de Issac, seguindo com “Limbo”, música que inaugura brilhantemente nossa nova fase com Gabriel Farias. “Satirne can santalini”, o segundo solo de theremin, que introduz uma releitura da música “IV” – e por falar em releituras, além do trabalho com as poesias, também revisitamos as nossas músicas para aperfeiçoá-las; apresentamos a música “VI”, que não saiu entre os nossos primeiros vídeos, mas pode ser ouvida em nosso bandcamp. “Mistérios do Mar” com Tina Reinstrings e  “Lamentos à Santa Cecília” instrumental cuja homenagem dedicamos à Mona Gadelha.

Fotos: Joyce S. Vidal

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Voltando um pouco… Lab X, momento de confraternização entre todos os laboratórios de criação no auditório. De todas as apresentações pertinentes, porque tínhamos a impressão que só a nossa não era? O que faremos para apresentar nosso projeto? Planejamos tocar uma música, mas acabamos criando um vídeo com o pouco que já havíamos produzido. Issac executa um discurso. A pedido de Janaina Marques, eis o discurso:
“Agradeço a Alvaro pelo convite, insistente, para a minha participação no projeto.
Fazer música eletrônica experimental de baixo orçamento em uma cidade provinciana não tem sido fácil. Fortaleza, onde os habitantes fecham seus textos para ideias férteis, e a juventude descolada confundiu resistência com desleixo e deu descarga na própria mente em nome da vulgaridade e do senso comum. Onde, certamente, esse projeto não poderia existir se não como uma heresia.
Estes aqui é a prova da pureza e da aleatoriedade dos critérios da comissão julgadora. Somos gratos.
Acreditamos que o artista é uma entidade política, não partidária. Portanto, a relevância desse projeto é, acima de tudo, a divulgação da poesia canônica cearense.

A ideia do cânone não vem separada da figura do crítico; e aquele que escolhemos para Xamã, guia espiritual, chama-se Sanzio de Azevedo.

Sila-Crvs é um duo de música eletrônica experimental e juntos não temos percurso (nascemos em Janeiro!)
Alvaro é Dead in DUMP em seu projeto solo e eu, Issac, sou um anônimo.

Paralelamente, compartilhamos a mesma adolescência: São Brás, aprender violão nas calçadas, burlar seguranças para entrar nas boates e ver o show do Montage e do Plastique Noir.

Alvaro me conheceu como pintor e poeta. De fato pintei e escrevi na estética surrealista por dez anos. Uma parte dessa produção incinerei, a outra parte rasguei e a outra ninguém verá.
Sumi por 11 anos, o que estive fazendo? Mudando de pele. Já Alvaro insistiu na música; colecionando “nãos” e “portas na cara”. Dono de uma produção que nenhuma boate quis tocar, e nenhum amigo, até este projeto, falo de mim claro, o quis como parceiro.
Um dos seus amigos disse que a sua música era para ‘chamar ETs’, e aqui estou, 11 anos depois, com a nave sideral”

– Mona, o Alvaro quer saber se pode chamar mais um… É o Gabriel Farias, seu parceiro de produção em outra banda.

Por mais que tentássemos não nos prender a rótulos, identidades e questões afins, achávamos que nosso som deveria soar “assim”, tal como estava naqueles primeiros vídeos, nossa fase “Lo-fi”. Gabriel nada tinha a ver com o processo. Pois bem, tínhamos uma vaga disponível e Alvaro tem um amigo que pode nos ajudar, questões serão avaliadas antes e durante a convocação do novo membro.
A primeira questão: Se somos um duo, Sila-Crvs A.O.A é um contrato entre duas pessoas através do primeiro nome de ambos, como explicar esse terceiro?
– Ah! Se for pra mantermos o duo, ele será “apenas“ o assistente e nas apresentações fica de fora.
(Para Issac era diferente, ou tudo ou nada, a ideia de assistente o deixava inquieto)
Pulando outras questões menores, chegamos a mais importante: E se Gabriel não “entender” a estética do projeto?
Gargalhadas. Muitas gargalhadas (após brigas, é claro). Estética? Nem acreditamos que estávamos defendendo a identidade “imatura” de um projeto criado em duas semanas! Issac tinha esse lance com as leituras, as batidas meio ritual ou sabe-se-lá-Deus-o-quê, tinha transes no meio e o theremin. Alvaro é o típico garoto “rebelde e maltrapilho”, mas sem o lance da guitarra, só computadores. Essa “estética” defendida é um filho torto, fruto de empolgações, carências e mal diálogos. Mas era um filho.
Gabriel querendo doar o sangue no projeto, ninguém dirá que não o construiu. Conviveremos esses meses intimamente, o que pode ser mais íntimo do que criar arte em conjunto? Não há espaço para assistentes. O doce e o amargo dos frutos colhidos, distribuídos igualmente. Que seja livre. E Gabriel quis.

Não conseguimos entender, mas estávamos mudando. Alvaro não entendia Issac, Issac achava que estava entendendo Alvaro, mas sua vibe já era outra. Gabriel ia para o lado de Alvaro, mas tinha a sua responsabilidade bem marcada. Desencontramos o tempo todo no fazer das coisas, contudo, apre(e)ndemos o ouro do diálogo aberto, nos desvencilhamos do medo dos sentimentos, e hoje batemos o martelo do destino ao mesmo tempo.
O segundo mês do projeto chegou e o terceiro membro tinha na cara o sorriso feroz de um trabalhador assalariado.

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano