Foto de Joyse S. Vidal

Por: Edna Freire

A cada dia dentro dessa pesquisa, buscamos algo que nos façam conhecedoras de si cada vez mais, já que estamos falando da mulher, somos cinco mulheres e um homem, que de fato não sabe o que é ser mulher, mas sempre traz para o processo suas experiências com mulheres (mães, tias, avós e outras). Sempre em busca de sensações com textos retirados do Quarto de Despejo e que já estão impregnados em nós. Trabalhamos dentro da sede do grupo Nóis de Teatro, a sede nos dá possibilidades que casa com os trechos de Carolina, buscando as várias Carolinas Maria de Jesus que somos, andando pelo um espaço que era comum para nós, fazendo um trabalho incomum nessa mesma sede, um abrir e fechar de portas e janelas que já existiam, mas que a existência foi modificada através de uma leitura de um olhar de Carolina Maria de Jesus, Amanda, Nayana, Kelly e Dorotéia.

A cada dia nos vem à tona como uma Carolina pode ser milhões, não só em nós, que estamos pesquisando, mas em uma só mulher e isso nos vem como uma onda, nos fazendo trabalhar essas questões de quanto podemos ser, Carolina se mostra como mulher amorosa, amarga, feliz, chata, ou seja, uma mulher com várias caras e sentimentos e é exatamente isso que estamos descobrindo e trabalhando no nosso corpo, o quanto podemos ser várias e até mesmo contraditórias no momento de “ser”.

Esse encontro com as várias Carolinas nos foi abordado também durante o trabalho com nossa tutora Adriana, que nos deu um olhar diferente na leitura sobre Carolina, descobertas incríveis e dúvidas maravilhosas que nos fizeram enxergar essas várias Carolinas. Essa mulher que trabalha catando papel, mas não gosta, prefere escrever, porém tem que tirar sustento de algum lugar e recorre ao lixo, esse mesmo lixo que dá nojo, que a faz amarga.

Nos pegamos agarradas com Carolina que nos mostra essas dúvidas dentro de nós, essas várias possibilidades de mulheres, Amanda, Nayana, Dorotéia e Kelly, mulheres jovens, mães solteiras, faveladas, negras, como cada uma coloca sua pessoalidade dentro do processo e isso traz uma emoção a mais dentro da pesquisa. Carolina foi uma catadora de lixo, dali tirava o sustento, nós pesquisadora não temos essa experiência específica do catar papel para sentir como é, não precisa, descobrimos mais que isso, nos aprofundamos em Carolina que a impressão que dá é que estamos sua alma, uma mulher que por várias vezes na leitura se mostrava dúbia, contraditória no por várias vezes e seus filhos sempre estavam certos.

Carolina nos mostra um ser humano de fato, como pode ser cruel com as palavras e engraçada sem nem perceber. E estamos nessa pesquisa buscando essas várias Carolinas com as várias Amandas, Kellys, Nayanas, Dorotéias, Henriques e Ednas.

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano