Por: Henrique Gonzaga

O processo de pesquisa Despejadas tem aberto portas, que em meio ao turbilhão de coisas do cotidiano, deixamos fechadas. Cada vez mais a pesquisa tem apontado para o íntimo das mulheres, um íntimo que vai do corpo ao viver. Nos conhecer tem sido a parte mais especial desse processo, saber de nós, falar sobre nós, estar em nós, esse tem sido o ponto
fundamental da pesquisa.

Apesar das nossas afinidades, percebemos que pouco nos conhecemos realmente, quanto cada uma de nós é um poço profundo, que nem sempre aceitamos que esse poço seja aberto para todas. O silêncio é uma constante em nossas vidas.
Caminhamos em criações onde o nosso corpo se exprime em palavras, em gestos, em movimentos, em silêncio, mas que em nenhum momento deixa de comunicar. A voz nos foi tirada várias vezes, agora é o nosso momento de falar.

Estamos experimentando o espaço físico onde habitamos, mas o que tem nos dado mais resultado é experimentar a si própria. As pautas, reivindicações, as questões e as necessidades são várias e mudam de acordo com a mulher, e isso tem nos deixado aflitas, como falar de mulher e abarcar todas essas questões? Na dúvida, nos colocamos em jogo, nos lançamos, entramos de cabeça para falar de nós mesmas, falar da mulher que eu sou e onde eu quero chegar. Carolina Maria de Jesus faz isso muito bem em seu livro, ela mostra as suas maiores fragilidades, mas também traz a força do sonhar e as lutas para ser. Assim queremos estar, em cena, em luta, em batalha.

Ao colocando as nossas vivências na roda, estamos colocando também, a vivência da minha mãe, da minha irmã, da minha avó, da minha vizinha e todas que percorrem esse chão, do tempo que era chão batido até o asfalto. Essas vivências se repetem em alguns aspectos, mas em outros, cada uma vai ter que aprender a se virar, que se virem, mas se virem para
todos os lados e vejam possibilidades e não opressão.

Estamos caminhando, às vezes com passos largos, às vezes com passos curtos, mas o importante é que estamos caminhando de mão dadas. Os nossos passos nesse asfalto, que testemunha o passar das vidas, vai testemunhar os passos de mulheres que ao se recusar a andar da mesma maneira, resolveram simplesmente alçar voo.

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano