A pesquisa em dramaturgia é fundamental no trabalho que desenvolvo como encenadora há cerca de 14 anos. O papel do texto é encarado no meu trabalho como material manejável, espaço para exploração e criação de novas formas de contar, ancoradas, especialmente, nas questões que se tornam urgentes ao teatro e que precisam ganhar corpo no trabalho de invenção criativa que venho empreendendo com o grupo de atores que compõem o Teatro Máquina. Em agosto de 2015, havia acabado de chegar de uma viagem por três regiões do semiárido nordestino, etapa de pesquisa de um projeto chamado Sete Estrelas do Grande Carro e comecei a me dedicar a reunir referências sobre as experiências e os lugares que tinham indicado a criação de um novo trabalho, o NOSSOS MORTOS. Esse projeto de viagem pelo semi-árido foi contemplado no Edtial Rumos Itaú 2013-2014. O projeto consistia em uma viagem ao Raso da Catarina(BA), à Serra da Capivara (PI) e ao Sertão dos Inhamuns (CE). Muitas cidades pelas quais passamos tinham histórias de transformação profunda, de inundação planejada, de transposição forçada, nos quais as pessoas relatavam lugares que simplesmente desapareceram, massacres muito violentos, falavam de corpos insepultos, de cemitérios que não puderem ser movidos. Resolvi com o grupo, ainda durante a ida para o Parque Nacional Serra da Capivara, no sul do Piauí, começar a leitura de Antígona, a tragédia escrita por Sófocles em 442 a.C. A leitura da peça, o exercício de adapta-la e experimenta-la durante a viagem não só fazia sentido, como parecia urgente ao grupo. Nomeamos de NOSSOS MORTOS a adaptação que comecei a fazer do texto de Sófocles, misturada, claro, com a experiência de ter estado no Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no munícipio cearense de Crato e em Canudos, no norte da Bahia. Esses dois lugares foram palco de dois massacres terríveis, silenciadores de movimentos populares tão breves quanto potentes e que ainda guardam uma grande dor, refletida na paisagem e nos que a compõem. Em NOSSOS MORTOS, a idéia é, a partir da pesquisa realizada com outras dramaturgias e com a história recente do nordeste brasileiro, concentrar os diálogos entre as duas irmãs, Antígona e Ismene, e contruir um extracampo com o corpo morto do irmão, ali presente, o que não se esconde. Para tanto, conhecer e analisar algumas versões dessa obra de Sófocles é bastante enriquecedor ao processo criativo, hibridizando tempos e abordagens do mesmo mito.

Fran Teixeira

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano