Crime à distância, Crime ambiental, Crime antissocial, Crime autônomo, Crime bilateral, Crime capital, Crime casual, Crime coletivo,  Crime comissivo, Crime complexo, Crime composto, Crime contra a fé pública, Crime contra a honra, Crime contra a humanidade, Crime omissivo, Crime contra a nação, Crime contra a saúde pública, Crime contra a segurança nacional, Crime contra as finanças públicas, Crime contra o Estado, Crime contra o patrimônio histórico, Crime contra o poder familiar, Crime contra os bons costumes,    Crime contra os bons costumes, Crime contravencional, Crime culposo, Crime da multidão, Crime de calúnia, Crime de dano, Crime material, Crime omissivo, Crime necessário.

Qual crime se desenvolve em nosso corpo cotidiano? Qual crime emerge dos nossos espaços de convivência?

Nossa tentativa de trabalho manifesta um trajeto criminoso onde o corpo escancara as questões do gueto, da rua, dos insubordinados, dentro de uma política cultural que geralmente não enfatiza tais experiências. Como invadir essa experiência do corpo de maneira que a vida não se detenha ao espaço do privilégio? Buscamos uma série de performances que pretendem presentificar, reiterar num trabalho de dança, algo que está já presente no nosso corpo, o que tem sido bem difícil, pois ainda estamos nas indecisões para fazer escolhas cênicas – Honório e Geane sugeriram um procedimento de trabalho que traz um roteiro que posso chamar de  “comportamento reiterado” – aquilo que busca memórias escondidas, algo que foge do raso, do confortável,  um processo de descoberta ética e diferentes formas de relacionar o conhecimento e a incorporação.

Em vigiar e punir, Foucault sempre traz o criminoso e a justiça, num enfrentamento de poder. Para que o criminoso não vire um herói como outrora, “só se propagarão os sinais-obstáculos que impedem o desejo do crime pelo receio calculado do castigo” (p. 93), não mais a glória ou esperteza do contraventor. Trata-se de dispositivos voltados para o futuro. De agora em diante, se pune para transformar um culpado, não para apagar o crime.

Processo – Constituição Coreográfica Criminosa

Como pensar em  outros grupos, outras classes, outros povos sujeitos à dominação clara e, muitas vezes, pessoal, especialmente servos, minorias étnicas e povos colonizados? Como se esses todos estivessem no meu corpo, no meu movimento dançado, numa estrutura coreográfica? Acho que a maioria da ciência social errou em considerar organizações formais, tais como sindicatos, movimentos sociais ou partidos revolucionários, como a forma mais importante da luta social e o meio principal da mudança social. Talvez haja algo na nossa dança, na nossa descoberta dentro de pequenas revoluções que movimente uma pequena resistência. A longo prazo a resistência contínua ou até individual, mas organizada e incentivada pela cultura dos subalternos, do gueto,  tem consequências igualmente ou mais importantes que os movimentos sociais para as formas de extração e dominação, impondo limites nos poderosos e frustrando muitas das suas ambições. Nas relações de classe, há um equilíbrio de poder no qual ambos os lados estão sempre tentando ganhar pequenas vantagens. Como coreografar estas relações?

Se entende que o indivíduo não tem controle sobre os papéis que são impostos pelos poderosos, qualquer interrogação de personalidade deverá fazer coincidir o eu com o papel que lhe é imposto. As ações de um corpo criminoso estão diretamente ligadas às questões de hegemonia e distribuição de poder.

Buscamos perceber o acontecimento sendo compartilhado, modelado em volumes, alturas e intensidades, em modo de co-temporalidade. O conjunto espaço – temporal – corporal desenha a paisagem – que se aproxima da noção de plano, mas a sua configuração só  se conhece no fim desse movimento partilhado. Cabe a nós perceber o momento presente. O conjunto de todos os planos que estamos tateando, dará o plano de composição ou uma “coreografia criminosa ” gerada com ações entre dança e crime ou uma dança/crime.

“Um ato criminoso pode ser um ato de fala” (Austin).

 

 

 

 

 

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano