Parto do pressuposto da importância do espaço. Uma muralha divide não o dentro e o fora, mas de que lados estamos. Aquele homem estabelece um diálogo. A sua conduta está para apaziguar os ânimos que sobraram de um tempo de guerra. Os ânimos são acalmados com o seu gesto de paz e ele está agora para fazer essa paz. Como quem precisa exercer uma paz. E é essa a sua função. A de estabelecer um código de paz. Como quem faz paz. Não por bondade. Não por outra coisa senão conduzir uma função. Estando ali para fazer o que a política lhe impôs. Executando planos deliberadamente arquitetados em papel. Executando um papel. Fazendo o que o papel sugere, o que o plano segue, o que os seus homens acreditam, fazendo o que a política lhe impôs. Não que estejamos de lados opostos. De certa maneira, compactuamos. Nos organizamos na maneira que a política nos impôs e assim nós compactuamos.

O espaço também se divide aqui com toda a importância gerada pela convenção. Precisamos falar da moralidade e de como ela influencia essa nossa dança. Fazemos parte da assembleia que vê. Vemos impressas no jornal as fotografias do momento e as palavras gastas na descrição do que se sucedeu. O diplomata morre no meio da caixa branca alvejado pelas costas. O espaço se reorganiza nas suas importâncias. Cada qual em seu canto definido se rearticula em outros espaços de antemão tão óbvios e com nenhuma novidade. O cheiro de sangue só pode ser sentido por quem está daquele lado de lá todos os dias e aqui os Estados poderão entrar em guerra um contra o outro. É assim que esteve posto uma larga e alta coluna cinza de densa fumaça que se formou no largo buraco da nossa memória. Não é difícil lembrar. Ela permanece resistente no firmamento da nossa convenção insistente de mapear as desgraçadas coreografias de poder uns sobre os outros. Está escrito e alguns fotogramas que existem indicam o ponto de vista. É de um avião. Foi de lá a fotografia do crime contra a humanidade.

Impérios são contra impérios e a convenção faz do mundo uma casa. De “com licença” e “invasão”, em cada compartimento há uma estratégia que nos serve e nós concordamos. Vou pela calçada e não posso atrapalhar o trânsito ou andar na contramão. A vida é um papel diagramado com horários. É com ele que Deus observa e registra a nossa masturbação. É com ele que o Estado está de acordo. De mãos dadas. Relembrando a importância do gesto de dar as mãos e apertar balançando. Ele está escrito no espaço de todas as maneiras. Vemos sorrindo esses homens de terno e os seguranças próximos a parede lhes resguardando. Vemos a assembleia de pessoas sentadas, o centro de um palco, o púlpito e também vários números assim.

 

 

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano