O ano era 2005, eu havia acabado de me mudar de Fortaleza para São Paulo devido ao rápido sucesso que minha banda Montage estava fazendo no cenário pop rock naquele ano. Em uma conversa entre amigos, estava o então diretor do nosso clipe Raio de Fogo, Fabiano Liporoni, me contando sobre o quão impressionado ele estava com um jovem dj de Curitiba chamado Rodrigo Gorky. Nas palavras de Fabiano, seus dj sets e mixagens ao vivo eram emocionantes! Guardei esse nome na cabeça! Na mesma  época percebi que o mesmo Gorky era o produtor e integrante responsável  pelo sucesso de uma banda contemporânea ao Montage, o Bonde do Rolê, que não demorou muito tempo, depois tornava-se um sucesso internacional  alavancado pelo Dj Diplo, onde colocou o Bonde e outra notória banda da época, o Canse de ser sexy para abrir a turnê gringa de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, os ingleses do Ladytron!

No ano seguinte, eu como repórter da MTV Brasil, finalmente o conheci pessoalmente. Quando o entrevistei para o noticias MTV, a pauta era artistas performáticos!  Gorky e seus parceiros de banda foram muitos simpáticos e começamos ali uma amizade, pouco tempo depois tocamos pela primeira vez juntos no festival Mix Brasil no Sesc Pompeia. A partir dai,  foram muitas as oportunidades onde esses encontros se repetiram! Em 2006 entramos pro line up fixo da saudosa festa CREW, Gorky como Dj e eu numa espécie de Mc, cantando e improvisando em cima dos sets dos demais djs da festa que formou uma cena solida de musica eletrônica e que trouxe à tona nomes que até hoje atuam na cena nacional e internacional.

Sempre fui um fã confesso do trabalho de Gorky, mas uma ocasião em particular me impressionou bastante. Em 2010 fui convidado para compor e gravar o LGBtema da parada do orgulho gay de São Paulo, e por consequência fiz a curadoria do trio elétrico oficial do evento, onde pude colocar na Av paulista o line up dos sonhos nesse carro! Óbvio que Gorky estava escalado e eis que a hora de seu set coincidiu com o momento mais simbólico do evento, quando o carro estava entre as avenidas paulistas e consolação.

Eram 3,5 milhoes de pessoas que tomavam duas das ruas mais famosas da capital paulista! Era por volta de 17h e nós já estávamos tocando desde as 10h da manhã. Todas as musicas que poderiam animar a plateia colorida da parada já haviam sido executadas pelo rico line up. Foi ai que Gorky me fez lembrar as palavras de Fabiano, la em 2005! O cara, em uma execução ao vivo, mixou dois hinos gay em uma única sacada: Hang Up da Madonna com Sem calcinha de Valeska Popuzuda! Ouvi um coro berrando sorrindo e cantando as duas musicas, com direito a coreografia copiada da rainha do pop e tudo! Era um momento de total ecstasy. Pode parecer piegas mas confesso que fiquei com os olhos cheios d’água! Música conectando quase 4 milhões de pessoas, Fabiano tinha toda razão ao dizer que seus sets eram emocionantes!  Ali, naquele momento nasceu um desejo enorme de um dia trabalhar com Rodrigo!

No mesmo ano, 2010, eu lancei um single mega influenciado pelo movimento tecnobrega do Pará chamado Flei, em parceria com o DJ e produtor gaúcho Fred Chernobyl, que havia por coincidência produzido os discos do bonde do Rolê. A faixa misturava o tecnobrega com o electro pop! Passei essa faixa, ainda em versão demo via msn (risos) para Gorky, que imediatamente perguntou se poderia mostrar ao Diplo. E, indo além, se poderia publicar no site da gravadora dele, a Mad decente.

Concordei, a musica foi parar la e recebeu elogios do próprio Diplo! Ecstasy para mim! No ano seguinte Gorky começou a produzir a então novata Banda Uó de Goiania, usando em sua sonoridade os mesmos elementos do meu single Flei, Tecnobrega + electropop. Foi um estouro, a Banda Uó, bombou rapidamente, conseguindo muitos fãs e ganhando prêmios importantes! Tive ali a clareza que, de alguma forma, estávamos conectados!

Fui embora do Brasil, Gorky continuou seus trabalhos com sua banda e um novo projeto chamado Fatnotronic, em parceria com o dj e produtor Phillip A, que produziu faixas para o meu álbum solo de estreia, produzindo inclusive a faixa titulo do disco “Mastigando Humanos”.  Gorky seguiu crescendo profissionalmente e eu segui minha trajetória, com aquela vontade guardada de poder um dia produzir algum material com ele, alguém que eu admirava e respeitava tanto, mas não via uma porta que pudesse dar entrada a esse sonho. Uma vez que seu trabalho não parava de crescer no mainstream  e eu permanecia na independência underground.

Gorky passou a produzir vinhetas para rede Globo, fazer turnês internacionais, trabalhar com nomes de peso como Luiza Possi, Alice Caymmi, até lançar o que viria a revolucionar a musica pop brasileira! Pabllo Vittar, drag maranhense que em pouco mais de um ano virou coqueluche pop e ultrapassou a barreira do gueto lgbt+. Uma sucessão de triunfos que me deixou muito orgulhoso, já que eu sou desde o começo do meu trabalho artístico militante do movimento queer no Brasil.

Em 2017 eis que eu me inscrevo para o laboratório de música do porto Iracema das Artes, para compor e gravar meu terceiro disco solo, e então finalizar minha trilogia do tropical/global bass. Passei e imediatamente veio à minha cabeça o nome de Rodrigo para ser meu tutor, uma vez que isso é concedido aos contemplados no projeto! Dedos cruzados, proposta lançada e BINGO! Gorky topou, de cara, entrar nesse projeto comigo e meus parceiros Ivan Timbó e Paulo Oliveira. E cá estamos no meio do furacão que Gorky se encontra, com Pabblo bombando, quebrando recordes, fazendo história e eu do lado disso tudo, tendo a chance de trabalhar com um cara genial e que é antes de tudo um amigo que eu admiro, pelo talento, senso de humor e impressionante capacidade de tornar pedra em ouro, é um tipo de midas do pop!

12 anos depois de nosso primeiro encontro, estamos nas salas do Porto Iracema das artes, fazendo músicas juntos, finalmente! Que venha então nosso Iracema Som Sistema, parte concreta de um sonho que eu estou conseguindo realizar. Eu sou paciente, teimoso e nunca desistir me possibilitou realizar muitos dos meus sonhos, fica aqui minha dica, façam o mesmo!

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

  • Sila Crvs A.O.A
  • Iracema Som Sistema
  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano