A história da foto-pintora Telma Saraiva é o mote para falar dos espaços urbanos, das imagens que produzimos sobre nós mesmos e do lugar da artista como sujeito histórico, emblemático do seu tempo.
 
Telma Saraiva (nome artístico) nasceu na cidade do Crato, em 1928 (1926?). Filha de Júlio Saraiva, engenheiro autodidata, fotógrafo, e de mãe D. Mirô, dona de casa. Família de classe média que participava do meio da elite econômica e política da região do Cariri cearense.

Corpo franzino e delicado, olhos e cabelos castanhos escuros, de pele morena clara. Era muito ligada ao pai e foi com ele que aprendeu fotografia e ganhou sua primeira máquina fotográfica. Também foi por causa do pai que a levava ao cinema para aprender a ler rápido através das legendas, que desenvolveu o gosto e encantamento pelos filmes clássicos hollywoodianos. 

(Fotografias de still das imagens captadas para a pesquisa sobre a foto-pintura no Cariri e sobre o trabalho artístico de Telma Saraiva – 08/2015)

Estudou na Escola Católica Santa Teresa de Jesus e foi lá que uma de suas professoras se achando feia numa fotografia deixou, a pedidos e insistência de Telma, que modificasse. Telma raspando o lápis de cor, com o pó coloriu a foto para gosto e gratidão da professora. 

Teve por irmão, Salviano Arraes que foi cenógrafo e diretor de teatro. Com ele, aprendeu sobre cenário e figurino.  

Telma dedicou sua vida a fotografia e foto-pintura no Estúdio Saraiva. Sua casa e estúdio foram construídos pelo pai para que ali vivesse próximo a ele. Telma casa-se com o também fotógrafo Edilson. Com quem teve 5 filhos. Quatro homens e uma mulher. Era Edilson que fazia o trabalho de eventos externos, as festas da cidade, e Telma fazia os retratos em seu estúdio.

Telma ressentia-se das imagens não terem cores, que só veio com os filmes coloridos na década de 60. Mas ao avistar na revista Cena Muda tintas fabricadas nos EUA que podiam dar cor as fotos p/b conseguiu com a ajuda do irmão Salviano Arraes, que falava e escrevia muito bem o inglês, que a encomenda viesse pelo correio. Assim começou a trabalhar com foto-pintura, utilizando a luz, cenário e figurino inspirados do cinema clássico, com as cores das tintas importadas.

(Fotografias de still das imagens captadas para a pesquisa sobre a foto-pintura no Cariri e sobre o trabalho artístico de Telma Saraiva – 08/2015)

Foi um sucesso e não paravam de chegar encomendas de toda a região. Trabalhava o dia todo de segunda à segunda. Sempre cheia de pedidos. Desde o prefeito, o bispo, o cantor das rádios, as misses dos concursos anuais do Crato Tênis Clube, e todas as cerimônias, batismo, primeira comunhão, crisma, 15 anos, 18 anos, casamento das famílias tradicionais e classe média da região, formando um inventário de imagens e costumes de uma época. 

No Estúdio Saraiva, trabalhou por mais de 60 anos, fotografando os ritos sociais e de quem visitava o Cariri em busca de fotografias bem feitas, onde se podia ficar mais jovens, belas e belos.

Mulher vaidosa e amante da beleza juvenil, nunca se descuidava. Mesmo na velhice, todos os dias, ao acordar, punha batom e fazia os cachos dos cabelos em tons loiros, que escondiam seus cabelos lisos e brancos. Os cachos vinha da moda de Shirley Temple, atriz do cinema norte-americano da década de 30.

Até que as próprias tintas, que ela misturava na mão como palheta, começaram a lhe prejudicar a saúde impedindo-a de continuar a pintar, tornando-se um dos motivos de sua saúde cada vez mais frágil. 

(Fotografias de still das imagens captadas para a pesquisa sobre a foto-pintura no Cariri e sobre o trabalho artístico de Telma Saraiva – 08/2015)

Na primeira década do século XXI, um pesquisador de fotografia e professor alemão, Titus Riedl, conhece seus trabalhos e faz sua primeira exposição com curadoria, tornando sua obra conhecida fora do Cariri, deixando de ser somente a fotografia de Estúdio e se tornando arte. Inicia assim um novo momento de sua trajetória com o reconhecimento artístico além das fronteiras familiares, com suas imagens ocupando os museus (Pinacoteca de SP, Museu na Espanha, Centros Culturais) e publicações no Brasil.

Faleceu em junho de 2015. 

(Fotografias de still das imagens captadas para a pesquisa sobre a foto-pintura no Cariri e sobre o trabalho artístico de Telma Saraiva – 08/2015)

Lab. de Artes Visuais

  • 051/Grande Circular
  • Isolamento Compulsório
  • Novas Abordagens Perceptivas do Real
  • Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã, um segundo antes de acordar

Lab. de Audiovisual

  • Ocre
  • Estrada Aberta
  • Tempo de matar cachorro
  • Telma
  • Perdido
  • 7 CAIXAS

Lab. de Dança

  • 233 A, 720 Khalos
  • Afrontamento
  • Afrontamento
  • Corpos Embarcados

Lab. de Música

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  • Ode ao Mar Atlântico
  • Orquestra Popular do Nordeste

Lab. de Teatro

  • Caldeirão de água no deserto – realidades e utopias?.
  • DESPEJADAS
  • Nossos Mortos
  • O retorno a Juberlano